Introdução
O mundo da arquitetura empresarial é um cenário dinâmico, evoluindo constantemente para atender às necessidades em constante mudança das organizações. Nesse ambiente dinâmico, uma abordagem rígida e linear para o desenvolvimento de arquitetura não será suficiente. É aí que entra o The Open Group Architecture Framework (TOGAF) e seu Método de Desenvolvimento de Arquitetura (ADM). Embora a representação gráfica do TOGAF ADM possa parecer, à primeira vista, um processo linear, do tipo cascata, a realidade é muito mais flexível e iterativa. Neste artigo, vamos aprofundar o conceito de iteração dentro do TOGAF ADM, explorando como ele capacita as organizações a navegar a complexidade e adaptar-se às mudanças de forma eficaz.
Os Fundamentos do TOGAF ADM
O TOGAF ADM é uma metodologia abrangente para o desenvolvimento e gestão de arquiteturas empresariais. Ele consiste em várias fases, incluindo a Preliminar, a Fase A até a Fase H. Embora possa parecer uma progressão linear de uma fase para a seguinte, é essencial compreender que essa linearidade aparente é meramente uma simplificação para facilitar a comunicação. Na prática, o TOGAF ADM adota dois conceitos-chave para gerenciar a complexidade: iteração e níveis.

- Iteração para Desenvolver um Panorama de Arquitetura CompreensivoUm dos aspectos fundamentais da iteração no TOGAF ADM é o desenvolvimento de um Panorama de Arquitetura abrangente. Isso envolve múltiplos ciclos pelo ADM, começando pela Fase A. Cada ciclo é iniciado por um “Pedido de Trabalho de Arquitetura”, que define o escopo e os objetivos da iniciativa de arquitetura.
- Projetos e Ciclos: Projetos são iniciados para realizar trabalhos específicos de arquitetura, e eles passam por todo o ciclo do ADM, produzindo saídas de arquitetura que contribuem para o panorama de arquitetura em evolução. Projetos diferentes podem operar seus próprios ciclos do ADM simultaneamente, e podem até mesmo desencadear a iniciativa de outros projetos com base em oportunidades ou soluções identificadas.
- Mudando o Panorama: A saída de cada ciclo do ADM amplia ou modifica o panorama de arquitetura existente, alinhando-o às necessidades em evolução da organização.
- Iteração dentro de um Ciclo do ADM (Iteração de Desenvolvimento de Arquitetura)O desenvolvimento de uma arquitetura dentro de um único ciclo do ADM não é um caminho de mão única. Envolve interações dinâmicas entre diferentes fases, permitindo adaptabilidade e convergência.
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- Fases Concorrentes: Projetos podem operar múltiplas fases do ADM simultaneamente. Isso é especialmente útil ao lidar com relações complexas entre Arquitetura de Negócios, Arquitetura de Sistemas de Informação e Arquitetura de Tecnologia.
- Ciclagem entre Fases: Em alguns casos, projetos podem ciclar intencionalmente entre diferentes fases do ADM, abrangendo múltiplas fases em ciclos planejados. Essa abordagem é valiosa quando há necessidade de convergir para uma Arquitetura-Alvo detalhada, especialmente quando o contexto de arquitetura de nível superior está ausente ou incompleto.
- Retornando às Fases Anteriores: A flexibilidade é um alicerce do TOGAF ADM. Projetos podem retornar a fases anteriores para atualizar produtos de trabalho com novas informações. Isso é frequentemente usado para aprimorar um Plano de Arquitetura Executável ou um Plano de Implementação e Migração com base em requisitos dos stakeholders em evolução.
- Iteração para Gerenciar a Capacidade de Arquitetura (Iteração de Capacidade de Arquitetura)Além do desenvolvimento de arquiteturas individuais, o TOGAF ADM também reconhece a importância de gerenciar a capacidade geral de arquitetura da organização.
- Iteração da Fase Preliminar: Projetos podem exigir iterações adicionais da Fase Preliminar para estabelecer ou reestabelecer aspectos da Capacidade de Arquitetura identificados na Fase A. Isso pode ocorrer em resposta a novos pedidos de trabalho de arquitetura ou a mudanças nos requisitos.
- Adaptando-se à Mudança: Quando solicitações de mudança surgem na Fase H, projetos podem iniciar novas iterações da Fase Preliminar para ajustar a Capacidade de Arquitetura da organização, a fim de acomodar novos ou modificados requisitos.
Exemplos para Diferentes Tipos de Iteração
Os seguintes exemplos destacam como a iteração dentro do framework TOGAF ADM permite que as organizações respondam a necessidades em mudança, aprimorem suas arquiteturas e garantam alinhamento com objetivos de negócios ao longo de todo o ciclo de vida de desenvolvimento e gestão de arquitetura.
Certamente! Vamos ilustrar os diferentes tipos de iteração dentro do framework TOGAF ADM com alguns exemplos práticos:
- Iteração para Desenvolver um Panorama de Arquitetura Compreensivo:
Exemplo: Imagine uma grande corporação multinacional empreendendo uma iniciativa de transformação digital em escala corporativa. Ela inicia um ciclo ADM (Fase A até Fase H) para criar uma Arquitetura-Alvo alinhada a seus objetivos estratégicos. Durante este ciclo, identificam vários projetos específicos, como a implementação de um novo sistema de gestão de relacionamento com clientes (CRM) e a atualização da infraestrutura de seu centro de dados. Cada um desses projetos passa por seus próprios ciclos ADM, contribuindo para a paisagem arquitetônica abrangente. Além disso, um dos projetos identifica a necessidade de um novo projeto para abordar preocupações de segurança cibernética, desencadeando a iniciativa de outro ciclo ADM.
- Iteração dentro de um Ciclo ADM (Iteração de Desenvolvimento de Arquitetura):
Exemplo: Uma empresa varejista está no meio do desenvolvimento de uma nova plataforma de comércio eletrônico (um projeto de tecnologia) como parte de sua estratégia de transformação digital. Neste projeto, percebem que sua arquitetura de negócios inicial não suporta plenamente a experiência do cliente que desejam oferecer. Em vez de prosseguir linearmente pelas fases do ADM, eles revisam e aprimoram simultaneamente sua arquitetura de negócios enquanto avançam na arquitetura de tecnologia e na arquitetura de sistemas de informação. Essa iteração simultânea permite alinhar efetivamente todos os aspectos de sua arquitetura.
- Iteração para Gerenciar a Capacidade de Arquitetura (Iteração de Capacidade de Arquitetura):
Exemplo: Um órgão governamental responsável pelos serviços aos cidadãos possui uma Capacidade de Arquitetura bem estabelecida. No entanto, recebem um pedido de mudança de uma determinação legislativa para aprimorar a privacidade e segurança de dados. Em resposta, iniciam uma nova iteração da Fase Preliminar para avaliar os impactos sobre sua Capacidade de Arquitetura. Isso envolve a atualização de processos de governança, políticas de segurança e programas de treinamento para cumprir os novos requisitos. Essa abordagem iterativa garante que a Capacidade de Arquitetura permaneça adaptável e sensível às mudanças externas.
- Retorno às Fases Anteriores para Atualizações:
Exemplo: Um instituição financeira está implementando um novo sistema bancário central, e já passou por vários ciclos ADM para desenvolver a arquitetura. Ao se aproximar da fase de implementação, descobrem novas exigências regulatórias relacionadas à retenção de dados. Em vez de aderir rigidamente à sua fase atual, retornam à Fase de Arquitetura de Negócios para atualizar seus requisitos e à Fase de Arquitetura de Tecnologia para incorporar as capacidades necessárias de retenção de dados. Essa abordagem iterativa permite que permaneçam em conformidade e alinhem a arquitetura com os padrões regulatórios em evolução.
- Ciclagem entre Fases para Convergir em uma Arquitetura-Alvo:
Exemplo: Um fabricante aeroespacial está desenvolvendo um novo avião. Eles começam com um conceito inicial na Fase Preliminar, mas percebem que precisam revisitar e aprimorar iterativamente a Arquitetura de Negócios, a Arquitetura de Sistemas de Informação e a Arquitetura de Tecnologia. Eles ciclam entre essas fases múltiplas vezes até convergirem em uma Arquitetura-Alvo detalhada e viável que atende aos requisitos técnicos e de negócios. Esse processo iterativo garante que a arquitetura seja bem considerada e alinhada aos objetivos do projeto.
Conclusão
O TOGAF ADM não é um processo linear e universal. Ao contrário, é um framework flexível e adaptável que abraça o conceito de iteração. Ao compreender e aplicar a iteração em diferentes etapas do ADM, as organizações conseguem navegar efetivamente a complexidade do desenvolvimento e gestão de arquiteturas corporativas. Essa abordagem iterativa permite agilidade, garante alinhamento com as necessidades em evolução dos negócios e capacita as organizações a prosperar em um cenário empresarial em constante mudança. Em essência, o processo iterativo do TOGAF ADM é a chave para aproveitar o poder da arquitetura corporativa para o sucesso sustentável.











